“Inventar a solidão!”

"Um dia há vida! Um homem, por exemplo, de perfeita saúde, nem sequer velho, nenhuma história de doenças. Tudo está como semre esteve, como sempre estará. Ele passa de um dia para o outro, não se ocupa de outra coisa senão dos seuas assuntos, sonha apenas com a vida que tem pela sua frente. E então , de súbito, acontece que há a morte. Um homem solta um pequno suspiro, afunda-se na sua cadeira, e é a morte. O carácter súbito desse facto não deixa o menor espaço ao pensamento,não dá á mente a menor hipótese de procurar uma palavra capaz de a confortar. A única coisa com que ficamos é a morte, o irrefutivel facto da nossa própria mortalidade. A morte depois de longa doença, podemos aceita-la com resignação. Mesmo a morte acidental, podemos imputa-la ao destino. Porém, o facto de um homem morrer simplesmente porque é um homem, deixa-nos da tão perto da invisivel fronteiraentre vida e morte que já não sabemos de que lado estamos. A vida converte-se em morte como se esta morte sempre tivesse sido dona e senhora desta vida. Morte sem aviso. O que é o mesmo que dizer: a vida não pára. E pode parar a qualquer momento!!"
 
In "Inventar a solidão"
Paul Auster

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